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A Responsabilidade Social Corporativa como parte integrante do ESG

A crescente demanda global por uma economia sustentável tem impulsionado as empresas a adotarem práticas responsáveis, inicialmente focadas em desafios socioambientais. Com o aumento da conscientização, governos, empresas e organizações da sociedade civil estão incorporando a responsabilidade social em suas atividades para lidar com questões como desequilíbrios sociais e impactos ambientais negativos. A integração de aspectos ambientais na responsabilidade social é crucial, refletindo esforços para encontrar soluções para desafios interconectados. 


O conceito de Responsabilidade Social (RS) evoluiu de uma visão filantrópica para incluir políticas e ações que contribuem para o desenvolvimento sustentável, com diretrizes estabelecidas pela ISO 26000 e adotadas pela ABNT NBR 16001. Essa norma define a RS como a responsabilidade de uma organização pelos impactos de suas atividades na sociedade e no meio ambiente, exigindo comportamento ético, transparente e alinhado com expectativas das partes interessadas e legislação aplicável. O Programa Brasileiro de Certificação em Responsabilidade Social do Inmetro certifica organizações de acordo com essas normas, promovendo uma cultura de responsabilidade social corporativa. 

  

Características dos conceitos de Responsabilidade Social e similaridades 

Os estudos e aplicações sobre Responsabilidade Social têm ganhado destaque, impulsionando mudanças significativas na relação entre empresas, estado e sociedade. A RS é um tema amplamente discutido tanto no meio acadêmico quanto empresarial, sendo abordada de várias maneiras e sem um conceito universalmente aceito. No contexto empresarial, envolve uma gestão ética e relações justas com os stakeholders, além do estabelecimento de metas para o desenvolvimento sustentável. Apesar da importância crescente da RS, o conceito ainda é difuso e em constante evolução, sem uma definição universalmente aceita. No entanto, a estruturação e compreensão das diferentes vertentes da RS são essenciais para a tomada de decisões assertivas, como Responsabilidade Social Empresarial (RSE), Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e Responsabilidade Socioambiental (RSA).   


No mundo globalizado atual, a ética empresarial ganha importância, refletida na Responsabilidade Social Empresarial, que está evoluindo, não apenas como resposta às demandas do mercado, mas também como diferencial competitivo para se alinhar com as demandas da sociedade, buscando harmonizar a prosperidade humana com a preservação ambiental, exigindo comprometimento das organizações com a geração de impactos positivos em suas comunidades, adotando princípios como transparência, sustentabilidade e inclusão.


 A Responsabilidade Social Corporativa concentra-se nas ações voltadas para o ambiente interno das empresas e seus colaboradores. Essas ações visam melhorar a qualidade de vida dos funcionários e familiares, resultando em maior engajamento e produtividade.  A Responsabilidade Socioambiental surge da convergência entre gestão social e ambiental, reconhecendo a responsabilidade compartilhada de empresas, governo e organizações do terceiro setor na promoção do bem-estar coletivo e na preservação do meio ambiente. Incorporar estas práticas é essencial para avançar em direção à sustentabilidade e ao desenvolvimento consciente, tanto no setor privado quanto no público.  


Desde a divulgação do Relatório Brundtland "Nosso Futuro Comum" em 1987, que criticou o modelo de desenvolvimento existente por ameaçar a sustentabilidade do planeta e gerar desigualdades sociais, o conceito de desenvolvimento sustentável tem ganhado destaque, salientando a importância de atender às necessidades presentes sem comprometer as futuras gerações. Inicialmente conhecido como ecodesenvolvimento, esse conceito evoluiu para o que hoje conhecemos como sustentabilidade, incluindo aspectos econômicos, sociais e ambientais.  


Na virada do século, John Elkington introduziu o conceito do triple bottom line, tripé da sustentabilidade, desafiando as empresas a considerarem não apenas os lucros, mas também os impactos sociais e ambientais de suas operações, fundamentais para a qualidade dos processos organizacionais. Avaliando a sustentabilidade em três dimensões interligadas, econômica, ambiental e social, objetivando o equilíbrio organizacional nestas dimensões, de forma equitativa e responsável. 

 

Responsabilidade social corporativa: descrição das práticas e benefícios  

A Norma Brasileira de Gestão da Responsabilidade Social, NBR 16001, teve sua origem a partir da avaliação da ISO, considerando a necessidade de uma norma que estabelecesse requisitos mínimos para um sistema de gestão da Responsabilidade Social, visando permitir que as organizações implementem políticas alinhadas com suas obrigações legais, compromissos éticos e preocupações com cidadania e sustentabilidade. Entre seus principais aspectos estão a aplicabilidade a organizações de todos os tamanhos e setores, a integração do conceito de Responsabilidade Social ao desenvolvimento sustentável, o comprometimento de funcionários e dirigentes, a definição de políticas e programas com metas claras, contemplando onze temas específicos da Responsabilidade Social. 

  • boas práticas de governança;  

  • combate à pirataria, sonegação, fraude e corrupção;  

  • práticas desleais de concorrência;  

  • direitos da criança e do adolescente, incluindo o combate ao trabalho infantil;  

  • direitos do trabalhador, incluindo o de livre associação, de negociação, a remuneração justa e benefícios básicos, bem como o combate ao trabalho forçado;  

  • promoção da diversidade e combate à discriminação (por exemplo: cultural, de gênero, de raça/etnia, idade, pessoa com deficiência);  

  • compromisso com o desenvolvimento profissional;  

  • promoção da saúde e segurança;  

  • promoção de padrões sustentáveis de desenvolvimento, produção, distribuição e consumo, contemplando fornecedores, prestadores de serviço, entre outros;  

  • proteção ao meio ambiente e aos direitos das gerações futuras; e  

  • ações sociais de interesse público. 

 

 Além destes aspectos, a NBR 16001 adota o modelo PDCA, facilitando a integração com sistemas de gestão já existentes. Esses elementos reforçam a importância da Responsabilidade Social Corporativa e sua integração aos processos empresariais, promovendo uma cultura de transparência e ética no ambiente corporativo.  


A norma, ao promover transparência e responsabilidade, alinha-se aos princípios ESG, impulsionando vantagens competitivas e diferenciando as empresas. Sua adesão reflete o compromisso com a sustentabilidade e induz mudanças na gestão empresarial, impactando positivamente as operações e resultados. No Brasil, a integração progressiva das práticas ESG nas estratégias corporativas reflete uma crescente consciência sobre o impacto social e ambiental das operações empresariais, além da lucratividade. 

 

Como a Responsabilidade Social Corporativa se encaixa nos pilares ESG  

A integração da Responsabilidade Social Corporativa (RSC) com os princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) é essencial para promover práticas empresariais mais sustentáveis e justas, atendendo às crescentes expectativas da sociedade e gerando preferência por empresas socialmente responsáveis. Isso não apenas promove benefícios para acionistas, mas também contribui para uma renda social mais ampla e difusa, destacando a importância da RSC como um todo. A rentabilidade empresarial é central nesse contexto, buscando resultados positivos que atendam tanto aos interesses dos investidores quanto aos da sociedade, com destaque para a inclusão social e a sustentabilidade ambiental. 


Recentemente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) respondeu à crescente demanda por informações ESG, buscando aumentar a transparência das empresas, refletindo o interesse crescente dos investidores em políticas de RSC. Esse movimento impulsiona as organizações a melhorar a divulgação de seus esforços nessa área e a alinhar seus padrões de divulgação com práticas internacionais, evitando o "greenwashing" e garantindo a compreensão adequada das informações ESG. A harmonização e clareza nesse campo são fundamentais para uma transição bem-sucedida em direção a práticas empresariais mais sustentáveis e transparentes, levando em conta as expectativas das partes interessadas e os impactos de suas ações em questões cruciais como educação, geração de emprego, desenvolvimento tecnológico, saúde e investimento social. 

 

 

Benefícios ao se implementar a responsabilidade social corporativa integrando com o ESG  

A Responsabilidade Social Corporativa visa o desenvolvimento sustentável, combinando iniciativas econômicas com o bem-estar social e ambiental. A implementação dessas práticas não apenas beneficia as comunidades e o meio ambiente, mas também fortalece a imagem e a credibilidade das organizações. 


A implementação das normas ISO e ABNT citadas trazem uma série de benefícios para as organizações, incluindo melhorias na tomada de decisão e na gestão de riscos, aumento da reputação e confiança pública, estímulo à inovação e competitividade, fortalecimento do relacionamento com partes interessadas, aumento da fidelidade e engajamento dos funcionários, melhoria da saúde e segurança dos trabalhadores, redução de custos operacionais, promoção de transações mais confiáveis e prevenção de conflitos com consumidores. Esses benefícios contribuem para o sucesso a longo prazo das organizações, alinhados aos ODS e pilares ESG. 


Transformar o discurso em prática e a intenção em compromisso é o grande desafio. A responsabilidade socioambiental demanda cooperação e esforços conjuntos para promover um desenvolvimento progressivo e sustentável, almejando alcançar progressos nas esferas ambiental, social e econômica, promovendo valores humanos fundamentais como dignidade, respeito à diversidade e equidade. A integração dessas práticas não só beneficia as organizações, mas também contribui para uma sociedade mais equitativa e um ambiente mais saudável. 


 Autor: André Ramayana Prates | Analista ESG na ESG Now

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